The Who and the Super Bowl

2010 fevereiro 7

E então, aconteceu. Sim, o show do The Who realmente aconteceu no Super Bowl, sem problemas maiores, apesar de toda a expectativa.

Vi ao vivo, e foi muito bom. Pra minha surpresa, quem substituiu Keith Moon, alma do grupo (junto com o ainda ativo Pete Townshend), foi Zak Starkey, filho de Ringo Star.

Daltrey estava meio nervoso, desafinou algumas vezes e parecia cansado. Pete estava tocando muito, mas errou alguns acordes e uma entrada ou outra.

Mas nada disso fez o show pior. Foi um baita show, lindo de ver o que sempre foi fantástico acontecer de novo. Não é o mesmo The Who de antigamente, mas tudo muda, certo?! E o palco foi um show à parte: lindo e interativo com a banda… muito bem bolado, muito bem montado.

Ah! Quem ganhou foram os Saints.

Abraços!

PS.: fazia tempo que eu não ouvia uma bateria soar tão bem numa transmissão de TV. Queria saber o que eles usaram pra soar daquela forma (mics… compressors?!?)

Rapidinhas

2010 fevereiro 4

E ae, galera, tranquilo?

Rapidinhas da semana…

  • Disco solo de Slash deve sair em Abril (era esperado pro final de 2009 – como noticiado aqui… mas como sempre, atrasou); com convidados como Fergie, Ozzy, Iggy Pop e Dave Grohl). Parece que não é nada bom.
  • Os Strokes voltaram, finalmente, ao estúdio. Estão gravando, e é oficial. Será que sai coisa boa?
  • Johnny Deep está produzindo e dirigindo um documentário sobre a vida de Keith Richards, com previsão de ser lançado ainda em 2010, ou início de 2011. Isso vai no embalo da auto-biografia de Richards, a ser lançada em Outubro deste ano (já em pré-venda pela Amazon UK). Disso eu tenho certeza que saem coisas boas!

Bem, é isso!

Abraços!

Maceo Parker – Episódio 32 – Música da Boa

2010 janeiro 31
por Martim Zveibil

Download this episode (35 min)

Lendário saxofonista da banda de James Brown. Maceo Parker seguiu uma bem sucedida carreira solo. Frequentemente acompanhado por seus companheiros Fred Wesley e Pee Wee Ellis, Maceo soube carregar a tocha de Brown com maestria. Teve tempo para alguns trabalhos com Parliament/Funkadelic e com Bootsy Collins entre seus trabalhos solo. Juntando R&B, Funk, Soul e Jazz, Maceo mostra porque é um virtuoso do sax.

Quick Step – [do disco: Made By Maceo (2003)]
  1. Cold Sweat – [do disco: My First Name is Maceo (1994)]
  2. To Be or Not to Be – [do disco: School's In! (2005)]
  3. My Baby Loves You – [do disco: Dial Maceo (2000)]
  4. House Party – [do disco: My First Name is Maceo (1994)]
  5. Speed Reading (It-Si-Bi-Ya) – [do disco: School's In! (2005)]
  6. Coin Toss – [do disco: Dial Maceo (2000)]
  7. There Was a Time – [do disco: My First Name is Maceo (1994)]
  8. We’re On The Move – [do disco: Funk Overload (1998)]
  9. Do You Love Me – [do disco: Funk Overload (1998)]
  10. Got To Get ‘Cha – [do disco: Doing Their Own Thing (1970)]
  11. Shake It Baby – [do disco: Doing Their Own Thing (1970)]

Banda mais frequente:

Will Boulware – Organ (Hammond) [former B.B. King]
Pee Wee Ellis Sax (Tenor), Vocals [former James Brown, J.B.'s]
Maceo Parker – Sax (Alto), Vocals [former James Brown, J.B.'s]
Jerry Preston – Bass [former The Kinks]
Bruno Speight – Guitar [former The S.O.S. band]
James “Son” Thomas – Drums
Fred Wesley – Trombones, Vocals [former James Brown, J.B.'s]

New York Subway Music: um bom exemplo

2010 janeiro 10

E ae, pessoas!

Volto das férias (pequena pausa merecida…) mostrando um pouco do que falei há algum tempo atrás, no post sobre o metrô de New York e seus músicos.

Fiz uma pequena gravação de uma ótima banda de jazz que ví quando estava indo almoçar na Union Square, uma grande praça no downtown de Manhattan, que abriga diversas coisas legais de artes (especialmente feirinhas aos finais de semana… fica a dica) e maluquices em geral.

Essa é uma das maiores estações da cidade, e tem grandes espaços abertos; por isso bandas normalmente se apresentam por lá… quase sempre tem coisa boa.

Espero que curtam o vídeo.

Abraços!

Maracatu Atômico

2009 dezembro 6

Como prometido, voltei pra falar mais um pouco sobre Pernambuco…

Alceu Valença é outro que teve o azar de pertencer a mesma geração que mil monstros da MPB. Alceu nasceu em uma cidadezinha chamada São Bento do Una, em 1946, e foi um dos primeiros artistas brasileiros a realmente incorporar o rock a uma música extremamente regional, ele cita como suas duas maiores influências Gonzagão e Elvis Presley, o rei do baião e o rei do rock. No começo da década de 70, Alceu chocou o cenário musical brasileiro com diversos álbuns com letras contundentes (em um de seus shows ele grava uma música chamada “Edipiana”) e arranjos que misturavam elementos extremamente nordestinos sertanejos (na figura de Zé da Flauta, um puta músico brasileiro que só não morre de fome por ter ido pra fora do país) e guitarras um tanto quanto hard rock (Alceu está com o mesmo guitarrista há mais de trinta anos, Paulo Rafael, que dá ao pernambucano o ritmo que tanto lhe falta). Infelizmente, esse lado cheio de fusão musical, que é declaradamente uma das maiores influências na construção do movimento Mangue Beat, é muito menos conhecido do que seu lado forró comercial (seu single “Coração Bobo” estourou depois de alguma novela global). Eu recomendo mesmo que aqueles que gostam não só de MPB, mas da mistura frenética que é Pernambuco, escutar dois álbuns desse cara “Espelho Cristalino” e “Ao vivo” (esse último gravado em 1986, em Montreux, e, com certeza, um dos seus melhores shows). E foi Alceu a maior influência do nosso próximo pernambucano histórico, o grande Chico Science.

Falando em Mague Beat, Chico Science é um de seus criadores e um dos maiores nomes da música brasileira nos últimos quinze anos, infelizmente, como outros grandes artistas teve um morte precoce e estúpida: em 1997, um acidente de carro em pleno carnaval de Recife, acabou com a vida de Science.

Junto a Nação Zumbi, ele revolucionou a cena musical brasileira com o álbum “Da Lama ao Caos”, lançado em 1994. Seguindo as tradições pernambucanas de batidas fortes e letras que batem ainda mais forte, ele misturou black music, maracatu, bom e velho rock’n’roll com música eletrônica, o cara era um gênio, fato. Seu primeiro álbum com a Nação Zumbi encantou crítica e público, o que levou a uma turnê de sucesso com direito a paradas em festivais nos EUA e Europa. O pernambucano da pequena Olinda começava a conquistar o mundo.

Em 1996, voltou ao estúdio, bem mais maduro, para gravar o “Afrociberdelia” (pessoalmente, meu favorito), álbum no qual a produção foi praticamente feita inteiramente por Science e Nação, com pitadas eletrônicas e participações mais que especiais (Gil e D2 foram uns dos colaboradores). Esse álbum é o “ápice” da carreira de Chico Sciene e sua turnê obteve ainda mais sucesso do que a anterior. Infelizmente, eu era nova demais e nunca vi um show da Nação com seu primeiro líder, mas já ouvi de mais de uma boca que nada superava a energia e o fascínio que essa banda exercia sob o público quando em cima de um palco.

Isso é só uma ponta da cultura pernambucana, uma ponta de um universo repleto de mistura, ritmos, força e paixão, que, infelizmente, está longe de ser valorizado como deveria.

Ainda bem que existiram nomes como Gonzagão, Alceu e Science pra brigarem e conseguirem espaço pra Pernambuco no mundo de cão que é a indústria fonográfica brasileira. Eu sei que sou eternamente grata pela música e coragem desses caras.

Até a próxima

Them Crooked Vultures

2009 dezembro 3

Banda nova no pedaço, Them Crooked Vultures, que já saiu com status de superband devido a seus respeitados integrantes, lançou um disco homônimo no começo de Novembro. Ainda não tinha comentado nada por aqui, mas andei ouvindo pra ter uma primeira impressão da coisa toda.

Bem, esse projeto (hoje todo mundo chama banda de projeto, pra não ficarmos apegados hahahha) é dos músicos John Paul Jones (Led Zeppelin), Dave Grohl (Foo Fighters/Nirvana) e Josh Homme (Queens of the Stone Age). Sim, só tem gente foda nessa banda, mas nem sempre isso é sinônimo de coisa boa.

Bem, o primeiro (e talvez único) disco da banda é… é… hum…interessante. Ok, é bom. Não sei se é gostoso de ouvir. É bem feito, bem produzido e bem criado… mas cansa.

As músicas são uma mistura de Led com Cream e modernidade de timbres. Sim, isso resulta em coisas que lembram o Queens of the Stone Age (QOTSA), mas que parecem ser menos pesadas e mais trabalhadas.

Não vou falar de nenhuma música em especial, pois nenhuma me chamou a atenção a ponto disso. Não acho que tenha nada no disco que você ouça e diga “WOOOOOOOOOOW, olha isso!”. Não acho que isso seja necessariamente ruim, mas acho que o coloca no hall de “mais um disco de rock de uma superbanda, que poderia ter sido… e não foi”. Não acho que falharam, mas que a coisa toda ficou aquém das expectativas (pelo menos das minhas).

Bem, musicalmente falando: é um disco muito baseado em guitarras, com riffs que lembram muito o Zep, muito mesmo em alguns momentos, e com melodias que estão mais pro Cream (em algumas músicas, Scumbag Blues – a melhor do disco – especialmente) e pro QOTSA em outras. Os ritmos são bem legais, mas nada surpreendente. Acho que isso talvez aconteça devido mais ao baixo do que à bateria em sí. Tenho a impressão de quem levou a bateria foi Paul Jones, e não o contrário.

O disco é infestado de backing vocals, às vezes acho que até demais. Eles são uma parte importante nas melodias das músicas, talvez pelo fato de a banda ser um power trio, isso seja mais importante. Isso é bom? Sei lá, pra mim é demais, mas… acho que é mais questão de gosto.

Bem, é isso. É um bom disco, mas não acho que daqui alguns anos será lembrado. Não é pra ser ouvido o tempo todo, e de forma inteiriça. Mas acho que vale a pena conhecer.

Recomendo algumas ouvidas, pois ele vai ficando melhor com o tempo.

Abraços!

♣ Ouvindo: Scumbag Blues – Them Crooked Vultures – Them Crooked Vultures

MÚSICA DA BOA – EPISÓDIO 31 – LOS LONELY BOYS

2009 dezembro 1

Download this episode (35 min)

Uma mistura de blues, rock, pop, tejano e conjunto. Los Lonely Boys é uma das coisas de maior qualidade que surgiram no Tex-Mex desde Stevie Ray Vaughan. Irmãos vindos de San Angelo, Texas, eles começaram cedo, acompanhando seu pai, o músico Sr. Ringo Garza (da banda Falcones).
Uma das pouquíssimas bandas no pop-rock-blues atual que sabe fazer arranjos vocais, o trio mostra ter categoria em praticamente todo resto. O vocalista e guitarrista Henry Garza é sensacional e a “cozinha” não fica atrás. não dão uma bola fora!
Estouraram nas paradas pop dos EUA com o single “Heaven” em 2004, daí pra frente foi só sucesso!
Pra mim soa como uma mistura de Stevie Ray com Santana com Ritchie Valens com bastante pop!
Duca!

  1. Superman [do álbum: Forgiven (2008)]
  2. Another Broken Heart [do álbum: Forgiven (2008)]
  3. Crazy Dreams [do álbum: Los Lonely Boys (2004)]
  4. Heart Won’t Tell a Lie [do álbum: Forgiven (2008)]
  5. I’m a Man [do álbum: Forgiven (2008)]
  6. My Way [do álbum: Sacred (2006)]
  7. Nobody Else [do álbum: Los Lonely Boys (2004)]
  8. Oye Mamacita [do álbum: Sacred (2006)]
  9. Real Emotions [do álbum: Los Lonely Boys (2004)]
  10. Roses [do álbum: Sacred (2006)]

Banda:

Henry Garza: guitar, vocals
JoJo Garza: bass, vocals
Ringo Garza Jr.: drums, vocals

Let It Bleed – 40 anos do lançamento do álbum

2009 novembro 30

Sei que ando muito em falta com o blog, e aparecer por aqui para postar um link é maldade, mas vale a pena! Nesta semana comemoram-se os 40 anos do lançamento do album Let It Bleed dos Rolling Stones, o primeiro de um período de ouro, e no site Os Armênios existe um dossie a respeito que é obrigatório para os fãs.

http://www.osarmenios.com.br/2009/11/dossie-let-it-bleed/

Postado ao som de Rolling Stones – Let It Bleed (a música, não o album)

Vinil, CD, MP3… (parte 3)

2009 novembro 29

Olá,

após uma pequena demora, volto aqui pra terminar o artigo que comecei em Outubro. (Parte 1 / Parte 2)

Na primeira e segunda partes do artigo, expliquei as diferenças entre fontes analógicas e digitais de áudio, como ocorre essa conversão, e o que se perde nela em termos qualitativos. Também expliquei um pouco sobre o que é bit rate e sample rate, e como isso define uma conversão A/D (analógico/digital).

Agora quero começar a falar um pouco do MP3 e da sua perda de qualidade, quando convertemos um CD ou WAV.

Primeiro, temos de saber o seguinte: nem todo MP3 é igual. Duas coisas envolvem isso. Primeiro, a taxa de conversão (bit rate): quanto maior, melhor. Porém, quanto maior, menor a compressão (e maior o tamanho do arquivo). Um MP3 de 128 kbps é bastante inferior à mesma música convertida à uma taxa de 320 kbps (deixando-se fixa as outras variáveis).

Uma segunda coisa que envolve a conversão é o conversor em sí. Quando fazermos a transformação, utilizamos programas no computador. Cada programa usa um conversor engine específico, que é o conversor em sí. E, como com qualquer coisa, existem melhores e piores. Tudo depende de quão bem feito ele é feito.

Bem, suponhamos que a conversão seja feita com um ótimo conversor, e a um bit rate alto (como 320 kbps). Ainda assim, há perda de qualidade. Porque?

Para o arquivo de áudio ficar menor, há um corte de freqüências graves e agudas, freqüências que, supostamente o ser humano não percebe (ou percebe de forma quase nula). Esse intervalo de corte varia de conversor pra conversor, mas sempre existe, mais ou menos drasticamente. E mesmo sendo imperceptíveis quando ouvidas isoladamente, essas freqüências afetam outras que percebemos muito bem, e por isso há uma mudança na qualidade sonora.

É por isso que tudo fica sem profundidade e sem grandes nuâncias quando convertemos para MP3. O corte ocorrido afeta a profundidade da música, e percebemos isso, especialmente quando ouvimos com headphones.

Outra coisa que ocorre é um boost de freqüências médias-agudas, que são as mais percebidas por nós, naturalmente. E isso faz com que toda música em MP3 soe um pouco metálica e com um chiado característico, normalmente entre 4kHz e 8Khz. Isso é irritante e faz com que nossos ouvidos se cansem muito mais rapidamente. Por isso conseguimos ouvir um vinil por horas, um CD por menos tempo, e MP3 por minutos até sentirmos nosso ouvido e cabeça fatigados.

O ser humano se adapta às coisas, e por isso cada vez mais as pessoas se acostumam com o MP3 e começam achar que o CD ou o vinil soam de forma ruim ou estranha. E isso vai acabando com a produção bem feita, dado que as novas gerações vão se acostumando com a qualidade ruim e tendo aquilo como referência.

Por isso, por mais MP3 que eu tenha, sempre prefiro ouvir tudo em CD ou vinil. E se vou baixar algo, sempre procuro em AAC (considerado melhor que o MP3, como mostrei aqui), ou em um MP3 de pelo menos 256 kbps.

Bem, espero que tenha ajudado. Se tiverem perguntas que eu possa ajudar a resolver, escrevam!

Abraços!

De Pernambuco para o Mundo

2009 novembro 26
por Natália Gonçalves

O último podcast me deixou numa vontade louca de falar um pouco mais de Pernambuco e seus músicos. Infelizmente, só ouvimos falar da Bahia (claro que a Bahia tem músicos fora de série, Caetano, Gil, João Gilberto…), mas nas ladeiras de Olinda muita coisa boa e original surgiu. O universo musical desse estado é amplo demais para ser discutido num blog, mas para se ter uma noção da história “recente” da música pernambucana basta se conhecer três nomes: Luiz Gonzaga, Alceu Valença e Chico Science.

O primeiro é um nome mais que conhecido por qualquer brasileiro (mesmo aqueles que não tem nenhum interesse por forró, baião e outros gêneros nordestinos, sabem quem é o grande mestre). Luiz Gonzaga nasceu em 1912, em uma cidadezinha chamada Exu. Seu pai, Januário, foi quem o ensinou a tocar o acordeão e foi com esse que Gonzagão popularizou um gênero tão nordestino chamado baião. Considerado um dos primeiros grandes artistas da MPB, nunca, em seus vários anos de carreira, perdeu o prestígio e sua canção Asa Branca, composta em 1947, figura entre uma das mais emblemáticas e importantes manifestações artísticas brasileiras (Caetano fez uma versão um tanto perturbadora de Asa Branca no lendário Phono 73, mas isso fica pra outro post). Foi esse pernambucano pé rachado que fez não só o seu estado, mas o Nordeste ser reconhecido e conhecido pelo resto do Brasil.

Paro por aqui, porque um post só para um estado grandioso como esse não é o suficiente, logo volto com mais, falando do lado rock’n'roll do cangaço musical brasileiro.

Até a próxima.