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Festival de Horrores

04/05/2011

Reality TV é sem sombra de dúvida o gênero televisivo que mais cresceu na última década. Também é claro que a realidade na telinha é extremamente fake (ou assim espero).  Atualmente, existem reality shows sobre todos os assuntos possíveis: culinária, moda, amor, gravidez, comportamento, sobrevivência, corridas e é claro sobre música.  Sim, meus queridos, a mais sagrada das artes não escapou do monstro que é a Reality Tv.

A combinação de jurados grosseiros, participantes sem noção, arranjos bregas e muita pieguice (“ah, minha mulher tem câncer, meu pai perdeu as pernas na guerra, meu cachorro fugiu e eu estou aqui por eles, pra usar meu talento pra ajudá-los, blá, blá, blá”) é garantia de sucesso, vide American Idol que é o programa mais rentável na grade americana. E como dinheiro é tudo, todos os grandes canais americanos têm lançado shows com o mesmo formato, alternando apenas os jurados e apresentadores. Ontem à noite, por exemplo, estreiou “The Voice” que busca a próxima grande voz americana, da mesma maneira que o Idol procura o próximo grande ídolo americano e o Ídolos Brasil procura a próxima grande vergonha nacional.

Shows que seguem esse formato com certeza são ótimos para audiência, agora, eles realmente fazem bem à indústria fonográfica? Quanto a lucro, sim. Quanto a qualidade artística? Não. A verdade é que os calouros não passam de peças descartáveis, é sempre mais do mesmo, inclusive uma das críticas que mais se escuta da boca dos jurados é de que o performer não é “atual o suficiente”, o que em outras palavras quer dizer: você não se parece  com nenhum astro do hip hop/r&b/pop rock que esteja vendendo muito nessa semana. Alguém me explica como esse tipo de show pode ser uma coisa boa?

É claro que esses programas só são o reflexo de algo muito maior, que vem tirando a música como arte dos holofotes e colocando em seu lugar a música como negócio e negócio apenas. Não sou hipócrita a ponto de achar que só o aspecto artístico deve ser levado em conta, é importante vender, lucrar, movimentar a indústria, só não acho que para isso seja necessário entupir os nossos ouvidos de Lady Gagas da vida e ignorar outros artistas tão mais talentosos e agradáveis aos nossos ouvidos (e aos olhos, também). É possível fazer música de qualidade e fazer sucesso, a prova disso é que ainda temos artistas e bandas boas que vendem, não tanto quanto o tal do Justin Bieber, mas vendem. Talvez eu só tenha parado no tempo, afinal minha banda preferida tem 50 anos (Keith, eu te amo), a maioria dos cantores e cantoras que eu admiro já bateram as botas há muito tempo e as coisas mais atuais que eu escuto sempre tem uma vibe nostálgica.  No fundo, eu sou uma sonhadora que ainda acredita que ser artista é muito mais importanto do que ter cara de artista.

Sinceramente, sou mais o tempo que programa de calouros era coisa do Raul Gil e do Sílvio Santos.

Até a próxima!

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