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Maracatu Atômico

06/12/2009

Como prometido, voltei pra falar mais um pouco sobre Pernambuco…

Alceu Valença é outro que teve o azar de pertencer a mesma geração que mil monstros da MPB. Alceu nasceu em uma cidadezinha chamada São Bento do Una, em 1946, e foi um dos primeiros artistas brasileiros a realmente incorporar o rock a uma música extremamente regional, ele cita como suas duas maiores influências Gonzagão e Elvis Presley, o rei do baião e o rei do rock. No começo da década de 70, Alceu chocou o cenário musical brasileiro com diversos álbuns com letras contundentes (em um de seus shows ele grava uma música chamada “Edipiana”) e arranjos que misturavam elementos extremamente nordestinos sertanejos (na figura de Zé da Flauta, um puta músico brasileiro que só não morre de fome por ter ido pra fora do país) e guitarras um tanto quanto hard rock (Alceu está com o mesmo guitarrista há mais de trinta anos, Paulo Rafael, que dá ao pernambucano o ritmo que tanto lhe falta). Infelizmente, esse lado cheio de fusão musical, que é declaradamente uma das maiores influências na construção do movimento Mangue Beat, é muito menos conhecido do que seu lado forró comercial (seu single “Coração Bobo” estourou depois de alguma novela global). Eu recomendo mesmo que aqueles que gostam não só de MPB, mas da mistura frenética que é Pernambuco, escutar dois álbuns desse cara “Espelho Cristalino” e “Ao vivo” (esse último gravado em 1986, em Montreux, e, com certeza, um dos seus melhores shows). E foi Alceu a maior influência do nosso próximo pernambucano histórico, o grande Chico Science.

Falando em Mague Beat, Chico Science é um de seus criadores e um dos maiores nomes da música brasileira nos últimos quinze anos, infelizmente, como outros grandes artistas teve um morte precoce e estúpida: em 1997, um acidente de carro em pleno carnaval de Recife, acabou com a vida de Science.

Junto a Nação Zumbi, ele revolucionou a cena musical brasileira com o álbum “Da Lama ao Caos”, lançado em 1994. Seguindo as tradições pernambucanas de batidas fortes e letras que batem ainda mais forte, ele misturou black music, maracatu, bom e velho rock’n’roll com música eletrônica, o cara era um gênio, fato. Seu primeiro álbum com a Nação Zumbi encantou crítica e público, o que levou a uma turnê de sucesso com direito a paradas em festivais nos EUA e Europa. O pernambucano da pequena Olinda começava a conquistar o mundo.

Em 1996, voltou ao estúdio, bem mais maduro, para gravar o “Afrociberdelia” (pessoalmente, meu favorito), álbum no qual a produção foi praticamente feita inteiramente por Science e Nação, com pitadas eletrônicas e participações mais que especiais (Gil e D2 foram uns dos colaboradores). Esse álbum é o “ápice” da carreira de Chico Sciene e sua turnê obteve ainda mais sucesso do que a anterior. Infelizmente, eu era nova demais e nunca vi um show da Nação com seu primeiro líder, mas já ouvi de mais de uma boca que nada superava a energia e o fascínio que essa banda exercia sob o público quando em cima de um palco.

Isso é só uma ponta da cultura pernambucana, uma ponta de um universo repleto de mistura, ritmos, força e paixão, que, infelizmente, está longe de ser valorizado como deveria.

Ainda bem que existiram nomes como Gonzagão, Alceu e Science pra brigarem e conseguirem espaço pra Pernambuco no mundo de cão que é a indústria fonográfica brasileira. Eu sei que sou eternamente grata pela música e coragem desses caras.

Até a próxima

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One Comment leave one →
  1. Mauricio permalink*
    14/12/2009 18:14

    Na, sempre botando pra foder com seus posts…

    Muito bom! =)

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