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Aquela sensação que faz falta…

18/08/2009

Harold Crick entra numa loja de guitarras, decidido a realizar seu sonho de desde sempre: comprar uma e aprender a tocar. Ele, então, observa um monte delas, e enfim se depara com uma Fender Stratocaster de braço claro, verde-água, meio surrada. Pensa: é ela. Pega, toca, e se sente livre.

E o que tem o filme Mais Estranho que a Ficção (aliás, não viu, veja!!) tem a ver com esse blog? Mais ainda, o que o filme tem a ver com Woodstock, o festival que completou 40 anos semana passada!?

Liberdade.

Woodstock, ao meu ver, mais do que qualquer coisa, demonstrou o quanto a música pode fazer as pessoas se sentirem livres. Assim como a Fender Stratocaster verde-água surrada de Harold Crick.

Todo mundo fala dos protestos, dos shows, das drogas… mas mais importante foi a liberdade. Acho que foi o primeiro festival que realmente colocou a liberdade que a música proporciona para multidões e fez as pessoas se sentirem realmente sem padrões de comportamento, sem amarras, sem ter de seguir regras… era um grande campo aberto, onde as pessoas podiam ser como eram, e esquecer do que deveriam ser. E a música estava lá pra isso.

Tanto é que Jimi Hendrix colocou o hino americano de cabeça pra baixo. Sua versão de The Star-Spangled Banner foi uma coisa do outro mundo. Deixou conservadores abalados, jovens inspirados e todo mundo babando como aquele negão alucinado tocada aquela Fender Stratocaster invertida (sim, ele era canhoto), fazendo uma música solene virar uma improvisação psicodélica cheia de blues-rock. É lindo de ver.

E toda vez que assisto ao documentário sobre Woodstock (ou o show de Hendrix no festival) tenho a sensação de que aquele lugar abrigou os dias mais livres de todos os tempos. E isso talvez me impressione tanto porque a liberdade hoje é artigo raro… ainda mais na música, sempre controlada e “tendo de soar de tal jeito”.

A liberdade que a música nos dá (ou deu) hoje está cada vez mais escassa. Aquela sensação de “posso ser como quero, quando quero, e ninguém tem nada com isso” não acontece mais hoje, nem por meros minutos. Talvez de forma isolada, quando alguém vê Hendrix fazer sua guitarra gritar, ou Cocker ter quase um surto no palco cantando a maravilhosa versão de With a Little Help From My Friends. Ou mesmo quando alguém pega sua guitarra (talvez fosse “pego minha…”) e toca da forma que quer, se deixando levar pelo som, e só o som. Mas de forma coletiva, isso é cada vez mais escasso. Eu diria inexistente.

E talvez seja isso que faça mais falta de Woodstock.

Abraços!

♣ Ouvindo: 1983 (A Merman I Should Turn to Be) – Jimi Hendrix – Electric Ladyland

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3 Comentários leave one →
  1. Natália permalink
    18/08/2009 23:44

    Eu acho que o pior é que a falsa noção de liberdade se alastrou não só pela música, ou pela arte em geral, mas em TUDO, do que vestir, ao que beber e a como se portar. Eu acho que eu sempre vou me achar um alien mesmo, pq já dizia minha professora de inglês que eu voltei a pé de Woodstock. Puta texto, gostei muito.

    • Mauricio permalink*
      18/08/2009 23:49

      Pois é, Na. Mas acho que essa falta se estende pra vida, o que torna isso pior. Hoje, temos de ser viver de muitas formas, mesmo que muitos não percebam esse controle constante. É um controle quase 1984, meio subliminar, onde, mesmo quando vc pensa que é transgressor, está seguindo algum tipo de comportamento que já não é mais original e livre. Até os transgressores tem seu grupo organizado, e são bastante bem entendidos pelo sistema…

  2. tarsio permalink
    21/08/2009 18:39

    Belo post, Mauricio! Concordo em genero, numero e grau! Abç

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