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Entrada Para Raros – Teatro Mágico

18/02/2007
“Pirateiem meu trabalho”. Só pela frase de seu fundador, Fernando Anitelli, é uma banda que merece estar aqui. Em uma época onde existem extensas discussões sobre como a indústria fonográfica deve reagir à troca de arquivos e à mudança de foco de seus negócios, uma banda como o Teatro Mágico coloca à disposição suas músicas via internet e pede para que seus fãs pirateiem seu primeiro CD: Entrada Para Raros. Eles já perceberam que é inevitável, e estão utilizando isso para autopromoção.

O Teatro Mágico é um grupo que mistura música, teatro, poesia e elementos circenses. Apresentam-se sempre pintados, fantasiados em um clima de circo. O álbum tem uma estrutura ininterrupta, isto é, a música que se sucede é “complementar” à anterior.

O começo do álbum é bem legal e já mostra o clima de mistura de linguagens que a banda se utiliza. Porém, também já mostra como todo o disco será: violão levando a melodia, sempre em destaque, voz, e percussão e bateria. Algumas vozes dobradas, algumas variações aqui e ali (até mesmo utilizando-se de uma parte “eletrônica”), violinos, flautas, etc etc etc… mas sem grande destaque.


As letras são simples. Ouvi dizer por aí que lembravam Los Hermanos em alguns aspectos. Para mim, nem um pouco. São muito mais simplistas e com músicas bem menos trabalhas (se essa foi a intenção, perfeito). São letras que não lembram em nada a profundidade de Camelo e companhia. Não, por isso, são ruins, só não vale a comparação.

A sonoridade das músicas é bastante POP, principalmente pelo timbre de voz de Fernando. Além disso o formato de violão no “fronte” da melodia ajuda bastante. Vou dizer que, pelo o que tinha lido em alguns lugares e ouvido de certas pessoas, eu esperava mais do som da banda. Não é surpreendente e após ouvir algumas vezes, não acho que traga nada de muito novo. Provavelmente o show deve ser ótimo, com a mistura de elementos circenses e poesia; mas aqui tratamos do CD e do som.

Um exemplo do que digo é a música Uma Parte Que Não Tinha, 16ª do álbum. Ouvindo o começo, parece muito com qualquer música da Fernanda Porto, que mistura o drum’n’bass com violão, guitarra…; isto é, música “analógica” (piano, bateria, etc etc etc; ou seja, música que não é eletrônica).

Não estou aqui para falar mal da banda, nem nada disso. Gostei da música. É gostosa de ouvir, é bem trabalhada, tenta fugir do comum (o que já é uma grande coisa hoje em dia); mas não é surpreendente de forma alguma. Não acho que seja uma banda, pelo menos ouvindo o CD, que tenha uma característica melódica, harmônica ou poética que a diferencie muito de alguma outra. Sinto algumas vezes que a sonoridade é mais POP do que pretendia ser. Alguns elementos misturados fazem parecer que algumas músicas foram feitas para serem fáceis de ouvir, e isso meu incomodou um pouco. Acho que pelo o que lí esperava demais, esperava um “novo” Los Hermanos, ou algo realmente diferente: seja pela letra, melodia, harmonia ou forma de apresentação da música.

Vale a pena ouvir. É gostoso. Tem músicas bonitas. Mas não é surpreendente.

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One Comment leave one →
  1. Anonymous permalink
    23/12/2007 03:06

    Realmente o CD não é tudo aquilo, musicalmente não é nada excepcional, mas o show, é tudo aquilo e mais um pouco. Achei incrível, já fui em muitíssimos shows na minha vida e até agora achava o show do Cordel do Fogo Encantado o melhor, mas o do Teatro Mágico é ainda melhor.

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