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Ao Vivo – Cássia Eller

04/02/2007
Cássia dispensa apresentações. Uma cantora divina, cheia de garra e tesão no que fazia, era um exemplo de pessoa e de profissional. Intérprete assumida (só compôs duas músicas que gravou – O Marginal e Eles), cantou músicas de diversos compositores como Caetano Veloso, Marisa Monte, Cazuza, The Beatles, Riachão, Chico Buarque… não dá pra citar todos. Porém, um não pode deixar de ser citado: Nando Reis. Grande amigo e parceiro de trabalho de Cássia, ele compôs diversas músicas especialmente para ela, e chegou a dizer que muitas eram muito melhor quando cantadas pela amiga.
Esse CD, chamado Ao Vivo, foi gravado em 1996, seis anos depois da gravação do primeiro disco de estúdio da cantora. É um álbum muito especial, que envolve uma atmosfera e uma sonoridade muito peculiar: voz e dois violões, nada mais. E é aí que entra a genialidade de Cássia e a grande performance dos dois músicos que a acompanham (prometo dizer o nome deles assim que descobrir): as músicas são cheias, completas e com melodias e harmonias muito bonitas e interessantes. Chego a dizer que a versão de Eu Sou Neguinha (Caetano Veloso), terceira música do disco, é a melhor que já ouvi. Os violões fazer mudanças de ritmo lindas e preenchem a melodia de uma forma difícil de ver quando se usa somente dois instrumentos. Os backing vocals são bastante emocionais e enxutos. Tudo isso com uma atmosfera meio rock’n’roll. É emocionante.

Outra canção que chama bastante atenção é Nenhum Roberto (Nando Reis). Um blues bastante agitado e ritmado com uma letra interessantíssima, que chega a ser engraçada em alguns momentos. É bastante surpreendente como sem percussão de alguma os dois violões conseguem dar um ritmo às músicas, de forma muito melhor do que muitos bateristas.

Não se pode deixar de citar as duas últimas músicas do álbum: Metrô Linha 743 (Raul Seixas – Toca Raul!! Desculpem, não me agüentei…) e Coroné Antônio Bento. A versão de Raul feita é muito melhor que a original: tem mais ritmo, mais energia, é mais rock’n’roll, e tem um tesão envolvido que só uma gravação ao vivo pode dar. O solo de violão é algo à parte: blues na cabeça, e com ritmo! Coroné Antônio Bento é um xote, lindo, com uma letra hilária, que vale a música. A interpretação de Cássia é cheia de raiva e de entonações teatrais (menos MTV, mais original). Espetacular.

Não é possível falar de cada música: são todas lindas, e cada qual com sua característica distinta. Cada uma merece um post inteiro. O que posso dizer é que é um disco com quatorze músicas, e todas valem a pena. Dê play e esqueça o controle remoto.
Algo a ser citado que existe em todas as músicas é a grande interpretação de Cássia: sua voz está melhor do que nunca, e sua capacidade de passar a intenção somente através da voz é impressionante. Um show.

Arrisco dizer que é o melhor CD da carreira de Cássia: energia, tesão, potência de voz, liberdade de interpretação, sonoridade única (uma aula pra qualquer Acústico MTV) e músicos maravilhosos. Tem de ouvir! Agora!

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