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Ninguém – Arnaldo Antunes

10/12/2006
Mas quem é Arnaldo Antunes, alguns se perguntam (sim, tem gente que nem imagina quem seja). Arnaldo é um dos Titãs, sim! Foi ele quem primero saiu do grupo, antevendo o que aquilo virou depois de algum tempo (com todo respeito à história da banda, que ajudou muito no rock nacional). Depois Nando Reis saiu e o Titãs virou o que virou. Sem comentários.

Bem, Arnaldo saiu da banda pra fazer um som mais conceitual. Lançou seu primeiro disco, chamado Nome, em 1993. E então, em 1995 continuou seu experimentalismo de música eletrônica, anti-convencionalismo e letras provocadoras, e lançou Ninguém.

Este é um disco, no mínimo, diferente do que a maioria já ouviu. Arnaldo Antunes mistura batidas eletrônicas, guitarras distorcidas, e letras muito diferentes, quase sempre inspiradas por sua grande paixão: a poesia concreta. E isto ja é percebido logo de cara, na primeira música do disco e que dá o nome ao mesmo: Ninguém. Não tem muito como descrever a música, só ouvindo. A letra é completamente diferente, não faz um grande sentido lógico e não conta uma “história” como a maioria das letras. E é isso que faz o álbum de Arnaldo fantástico: a mistura de sons ótimos, melodias lindas e letras completamente complexas (e algumas até desconexas). Nesta linha, ouça também “O nome disso”, terceira música.

Ouvindo o álbum, você vai se surpreendendo. Tem gente que vai ouvir e dizer: “isso é um absurdo! Como alguém faz uma música com uma letra sem sentido algum!?”. Bem, experimentalismo e poesia concreta. Isso é o que faz o CD algo bastante interessante e valido: ele sai do lugar comum, traz coisas novas e ajuda às pessoas a verem lados diferentes da música e da poesia. Talvez a grande amostra disso seja a música “Minha meu”. Ouça… é surpreendente.

Também há músicas mais “comuns” (lembrando que comum para Arnaldo não é normal, nem previsível). “O seu olhar”, nona música do CD, é linda… uma balada com uma linha melódica que é emocionante, cantada em dueto com uma voz feminina fantástica (prometo postar o nome da cantora aqui assim que descobrir). “Judiaria”, 11ª música do álbum, é Lupcínio Rodrigues em um rock com uma guitarra pesada. Impressionante. Lindo. O melhor “chega pra lá” que alguém pode dar. Ouça. Não podia passar sem comentar “Alegria”, talvez a música mais conhecida desse álbum. Maravilhosa.

Poderia ficar aqui horas falando sobre cada música desse disco, mas o melhor a fazer é ouví-lo. Poderia gastar palavras e mais palavras, todas sem conseguir expressar o que cada música de Ninguém é: as músicas não são pra serem descritas. São para serem ouvidas com atenção e sem preconceito. É a isso que esse álbum do Arnaldo vale: quebrar preconceitos e paradigmas, e mostrar que dá pra fazer música de uma forma diferente, não comercial, e ótima.

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One Comment leave one →
  1. guilherme Maciel permalink
    12/12/2006 17:08

    A voz feminina é de Zaba Moreau, mulher de Arnaldo na época da gravação do álbum.

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