Protetor auricular
Pra minha surpresa, noto que desde que escrevi o post “Protetor auricular pra que?! Enfia algodão no ouvido…” muita gente tem chegado ao meu blog através da procura de expressões como “protetor para ouvido”, “protetor auricular”, “protetor da audição para músicos”, e algumas outras similares (e para meu estranhamento, algumas como “colocar algodão no ouvido”…?!?!?).
Por isso resolvi escrever para explicar o que é um bom protetor auricular para quem trabalha com audio (incluindo músicos) e citar alguns modelos que existem por aí.
Pra começar, o que diferencia um protetor comum de um protetor específico para quem trabalha audio? A fidelidade na atenuação de freqüências. Protetores comuns, muitas vezes encontrados em farmácias (como aquele laranja da 3M), tampa todo o ouvido, e não deixar uma entrada para que freqüências média-altas e altas entrem no nosso canal auditivo. Isso acontece pois estas faixas de freqüência são muito “fracas” (pouca energia) e morrem de forma muita fácil quando encontram um obstáculo denso e de difícil transposição.
Essa característica dos protetores comuns faz com que eles não tenham uma atenuação flat, isto é, não atenuam todas as freqüências (ou ao menos uma gama considerável – de 60Hz a 16kHz) de forma igual matando mais a parte média/aguda do som.
Quando estamos trabalhando com audio e procuramos protetores auriculares, queremos ouvir o mais próximo possível do som real, porém num “volume” (amplitude) mais baixo (quase como se simplesmente ajustássemos o botão de volume do nosso som de casa – não é bem isso devido à curva de Fletcher-Munson… mas isso é papo pra outro post). Essa característica é extremamente importante para que não sejamos enganados ao mixar e equalizar: se há um corte muito maior das freqüências agudas e médias-agudas, nossa tendência é cortar os graves, e isso faz com que o som fique descompensado ou diferente do que queremos.
Assim sendo, algumas empresas fabricam protetores específicos para isso. Uma das mais conhecidas e tradicionais é a Etymoic Research.
O mais correto para termos um bom protetor seria começar fazendo uma audiometria (em algum fonoaudiólogo). Isso mostra se há alguma perda de freqüências em alguma faixa específica. Depois, tirar um molde de seu canal auricular e mandar fazer um protetor custom made. O da Etymoic chama-se Musicians Earplugs e custa, nos US, em torno de 150 dólares. A grande vantagem desse tipo de protetor é ser mais confortável e ter uma atenuação mais adaptável (é possível trocar os atenuadores do protetor entre 9, 15 e 25 dB).
Uma opção mais fácil e barata seria comprar um comum, mas feito para músicos. Uma boa opção é o High Fidelity Earplugs ER 20, da Etymoic. Atenuam 20 dB de maneira flat (ou quase), são baratos (cerca de 15 dólares o par, nos US) e têm 2 tamanhos. Não são tão confortáveis nem duráveis, porém são uma ótima opção para quem quer gastar menos ( e também pra quem quer proteger a audição em shows e lugares barulhentos).
Tenho certeza que existem outras opções e marcas. Não coloquei aqui por não conhecer e saber que a Etymoic é uma das mais conceituadas no mercado. Porém, quem quiser saber mais do assunto, pode perguntar ao seu médico ou usar o pai-dos-burros-moderno, também conhecido como Google.
Aqui no Brasil, são complicados de ser achar e o preço é consideravelmente maior. Fica a dica pra quem vai viajar.
Espero ter ajudado.
Abraços!
Esqueça. Meia entrada não existe. Carteirinha de estudante não serve pra nada, a não ser dobrar o preço do ingresso inteiro. Se você acha que está pagando meia entrada, simplesmente esta sendo inocente… e inflacionando os preços gerais de eventos culturais.
“Como assim?”, pergunta você… “Toda vez que compro um ingresso de show ou cinema, eu pago metade da inteira… logo…. …”. Logo nada. Você paga o que deveria ser a inteira, mas virou meia entrada.
A conta é simples. Peguemos como exemplo um show. É sabido que 80% ou mais das entradas vendidas para um show são “meia-entrada”. O custo de trazer a banda é o mesmo, com ou sem meia entrada. O dos equipamentos, idem… assim como locação do espaço, segurança, publicidade, infra-estrutura… etc etc etc. Os custos continuam o mesmo, certo? O número de ingressos vendidos à um preço X, também continua sendo o mesmo (o número de datas disponíveis é limitada, se levarmos em conta que a oferta é maior que a demanda…).
Assim sendo, a quantidade de dinheiro que deve ser arrecadada para pagar os custos e gerar lucro é a mesma, com ou sem meia entrada. Se a oferta de ingressos não é elástica a ponto de compensar a meia entrada (e 90% das vezes não é), qual a solução? Se a grande maioria de ingressos vendida é meia-entrada, a solução é dobrar o preço do que seria cobrado entrada “inteira”, para conseguir o mesmo valor com a meia entrada… entendeu?!
Sendo os custos fixos iguais com ou sem meia entrada, e o número de entradas que é possível vender, também (seja pelo local, seja pela demanda ou pelo número de datas possíveis com determinado artista), o valor que deve ser arrecadado é o mesmo. Então, a meia entrada deve ser o preço real que deveria ser cobrado, se ela não existisse.
A conta só seria outra se houvesse duas outras variáveis (juntas ou separadas), ao meu ver: 1- se a meia entrada fosse limitada a mais ou menos uns 20% ou 25% do total dos ingressos; 2- se ela fosse subsidiada… isto é, se o governo pagasse a outra metade do ingresso faltante (ou ao menos um bom percentual dela). Isso faria com que o valor o ingresso inteiro fosse menor, e assim a “meia-entrada” realmente seria vantajosa (e não só uma ilusão para enganar o governo e estudantes).
Somando-se a isso ao fato de que os downloads ilegais encarecem os cachês das bandas (como elas não ganham mais dinheiro algum com venda de músicas, tem de bancar as gravações e custos dos novos álbuns com dinheiro dos shows…), os ingressos para shows ficam cada vez mais caros, e a meia entrada passa a ser cada vez mais uma medida “pra estudante ingênuo ver”.
Isso porque nem citei os “espertinhos” que falsificam a meia entrada, achando que estão fazendo algo super legal, normal e aceitável (mas essa discussão ética fica pra outro post…).
Abraços!
(Edição 17:12) PS.: como lembrou muito bem meu amigo Laurrent (um ótimo baterista, por sinal) a ganância dos empresários da área é um fator importante para explicar altos preços em eventos culturais (quando houve uma limitação da meia entrada à 30% dos ingressos, não houve uma redução imediata dos preços). Não sou ingênuo de achar que são coitados e pessoas altruístas. O que quero tentar mostrar com esse post é que a meia entrada não existe na prática e é prejudicial para o mercado cultural como um todo.
Porém só acabar com ela não é a solução. Esta passa por maiores investimentos na área (e uma maior concorrência), uma política séria do governo em relação à cultura, diminuição da carga tributária e, acima de tudo, um aumento na renda média do brasileiro (que teria mais dinheiro para gastar com “supérfluos”). Outra solução seria a dimnuição da demanda dos ingressos, e assim os empresários seriam obrigados e diminuir os preços pra vender… como eles cobram o que querem, e muita gente paga, tudo fica na mesma.
Paul McCartney? Não, obrigado…
Muita gente me perguntou se eu iria no show do Paul. E, dessas, 95% se surpreenderam quando disse: não, obrigado, Paul é um mala que eu não tenho admiração pela sua carreira solo.
Assustou? Explico.
Paul foi o único Beatle que realmente sobreviveu tocando músicas de uma banda que não existia mais. Paul vende seus shows baseado na “beatlemania” e na vontade que as pessoas têm de ver os Beatles ao vivo, e ouvir aquelas músicas todas que todos gostam e viveram ouvindo. Paul não chegou à 40% da sua capacidade produção na sua carreira solo.
Como posso admirar um artista que baseia sua carreira em músicas de uma banda que foi integrante, mas que acabou? E, pior: do que conheço, ele não fez grandes esforços pra fazer a coisa de outra maneira. Quero dizer: duvido que se Paul quisesse fazer músicas realmente boas, que fossem interessantes e diferentes do que poderia se esperar, ele faria. Ele fez coisas muito boas (algumas quase geniais) nos Beatles (algumas basicamente sozinho).
Porque ficar baseando sua carreira solo na nostalgia de uma banda que não existe e que não era somente dele? Porque, se Lennon e Harrison (Ringo não conta) construiram uma carreira solo boa e criativa, sem se basear nos Beatles, McCartney não poderia?
Por isso, e só por isso: Paul McCartney? Não, obrigado…
Abraços!
Fãs pagam para Weezer acabar…
Uma rapidinha que lí no Pitchfork e achei demais: um grupo de fãs da banda Weezer etá arrecadando 10 milhões de dólares como um incentivo para a banda acabar. Sim, isso mesmo, para ACABAR! Finito, the end, bye bye…
O argumento é que, desde o disco Pinkerton, de 1996, a banda não lança nada de bom. Disse que se sente frustrado cada vez que a banda lança um novo disco e diz que é o melhor desde Pinkerton: ”This is an abusive relationship, and it needs to stop now.”
Bem, a banda disse que se forem arrecadados 20 milhões, ela fecha as portas. Exigentes, não!? Além de lançarem discos ridículos, ainda exigem mais dinheiro?!?!
Se todo fã de banda que se tornou medíocre fizesse isso, o mundo seria poupado de muitos discos frustrantes…
Qual banda vocês recomendariam parar?
Ah, em tempo: até agora, foram arrecadados duzentos e poucos dólares… … …
Abraços!
Prêmios que não premiam
Hoje à noite teremos o VMB 2010. À semelhança do que acontece no Prêmio Multishow de Música Brasileira, esse também é um prêmio decidido por voto popular. Ou seja: quem vota em sua grande maioria são os adolescentes e pré-adolescentes, e quem ganha são sempre os mesmos (sejam as mesmas bandas, ou diferentes mas que são iguais…).
Fico aqui pensando nas razoes e implicações desse tipo de premiação. Na verdade, elas só servem pra reafirmar o que já está aí tocando na rádio, que é o que as grandes gravadoras (grandes?!) investem grana e enfiam goela abaixo de um publico que consome basicamente o que está na mídia de massa.
A verdade é que, quando as emissoras decidem premiar somente baseadas em voto popular, sem prêmios especificamente técnicos ou que são decididos por pessoas que entendem melhor de música, o que elas fazem é tirar o corpo fora.
Pois, na real, o que acontece é que a premiação (e a emissora) não fica mal com a grande maioria das pessoas que a assiste (e que só assistem pois premiam o que elas ouvem e querem…), e fica tudo na mesma.
No final das contas, não é nada alem da reafirmação do investimento feitos pelas gravadoras e pelas emissoras: a premiação premia o que tem investimento, e não o que é necessariamente bom ou interessante, e é quase como uma pesquisa de mercado pra reafirmar o investimento. “Olha só, investimos X mil numa banda que ganhou Y prêmios”… mas a verdade é que, no final das contas, os prêmios são comprados.
Simplesmente servem pra dar alguma credibilidade fajuta a bandas e artistas falsos, sem personalidade, fabricados, e (em sua grande maioria) sem o menor talento.
E então, tudo continua na mesma… engraçado que isso me lembra um outro tipo de eleição que esta pra acontecer, com candidatos fajutos, falsos, de plástico, sem o menos compromisso com nada.
Abraços!
E quando Restart parecer Dostoievski???
Lembro de quando o Charlie Brown Jr. lançou seu primeiro CD. Eu achei uma merda. Sempre tocou muito nas rádios, muitos amigos gostavam, e eu sempre achei ruim…
Depois de algum tempo, apareceu o CPM 22. Poutz, eu fiquei revoltado. Não entendia como alguém podia gostar daquilo. Pior, não entendia como alguém podia chamar aquilo de rock! Pra mim era um absurdo. E, dado o momento, até que não achava o Charlie Brown Jr. tão ruim mais… a base comparativa tinha mudado, e em vista do que andava acontecendo naquela “cena rock’n'roll”, CBJ era até que interessante.
Algum pouco tempo depois, apareceu um tal de NX Zero. Nossa, então achei que o rock havia morrido. As pessoas insistiam em chamar aquilo de rock’n'roll, e eu cuspia nessas opiniões escrotas. Não, não é rock! Parem com isso!!! E olhando pra trás, CBJ era bom, e CPM 22 já não era tão ridículo, dado o que havia aparecido.
Então o Fresno surgiu, e o mesmo aconteceu. Ridículo, péssimo…….. e olhando pra trás, comparativamente, aquelas bandas que eu criticava não eram TÃO ruins.
Há um mês e meio, voltei de um tempo em NY e me deparo com uma tal de banda Restart. Vergonha alheia total. Ridículo. Patético. Criatividade zero. Enlatado como ervilhas. A banda fede, o visual é uma merda, e a atitude desses garotos é… bem… não tenho palavras. E chamam isso de “rock brasileiro”.
Então, ouvi uma frase do Dinho Ouro Preto (vocalista do Capital Inicial): “Restart faz NX Zero e Fresno parecerem Dostoievski”.
A qualidade do nosso rock nacional, ou melhor… a qualidade das bandas que fazem sucesso no rock nacional tem caído tão vertiginosamente que o que era péssimo há alguns anos, hoje até que é… menos ruim, diria eu.
A nossa base comparativa está caindo muito rápido. Sim, porque não dá pra comparar Restart com Barão Vermelho, né?! Além de absurdo, os tempos eram outros, a produção cultural era outra, etc e tal. Mas, dá pra comprar com Charlie Brown Jr., que pra mim continua sendo ruim, mas é um oásis de criatividade e personalidade perto do que anda rolando hoje por aí.
O que mais me assusta é: e eu, bobo e ingênuo, que achava que pior do que Fresno não ficaria… me enganei. Mas, e aí!? Ó, Buda, será que aparecerá algo PIOR e mais absurdo do que Restart?! Pra onde estão levando o nome e a fama do nosso rock brasuca?!?!!
E então, deixo a pergunta: e quando Restart parecer Dostoievski, o que será de nós?!
Medo…
Abraços!
Bem, comigo, nem tanto… a precariedade do setor brasileiro de áudio profissional me assusta mais a cada dia. Descobri, hoje, que, além dos preços serem abusivos de forma revoltante, se você quer comprar um protetor auricular (auditivo, coisa simples) especializado para músicos e engenheiros de áudio, tem que comprar lá fora. Sério mesmo!? É isso mesmo!? Ninguém se preocupa com a saúde do seu principal instrumento de trabalho?! Não, ridículo!
Ok, tem muita gente que deve estar perguntando: pô, mas na farmácia tem aqueles da 3M, laranjas,… protegem pacas!
Sim, é verdade, em parte. Porém, para uso profissional, ele é completamente desaconselhável. Explico: esse tipo de protetor tem dois problemas sérios: primeiro, ele corta basicamente todas as freqüências altas e médias, deixando basicamente só os graves que são transmitidos através de outras formas (vibrações do seu corpo, etc etc etc). Segundo, eles são totalmente fechados, sem respiro para o canal auditivo… e isso não é nada bom pra sua saúde.
Para uso profissional, seja para o músico que está tocando, seja para o engenheiro de som que está cuidando do show, é extremamente importante que o protetor auricular tenha uma atenuação quase flat de freqüências, isto é, cortando basicamente por igual graves, médios e agudos. Para o engenheiro de som, isso é crucial: não há como julgar se o som de um show está balanceado e agradável se não é possível ouvir a gama quase total de freqüências.
E pra que o uso do protetor? Qualquer som acima de 85 dB-SPL por um período prolongado pode levar à perda parcial de audição (em um show pequeno/médio pode chegar à 100 dB-SPL). Preciso proteger meu instrumento de trabalho, certo?
Bom, hoje à noite serei em parte responsável pelo som do primeiro show da OYF (banda da qual comentei aqui em post anterior), e preciso de um protetor decente. Achei que, como nos US, isso fosse fácil de achar em casas especializadas em som profissional… lá o preço é razoável: os mais comuns variam entre 10 e 50 dólares, dependendo da capacidade de atenuação (em dB) e do quão flat ela é. Chega a ser possível encontrar algumas marcas até em farmácias maiores em NY. Imaginei que seria algo tranqüilo, em locais especializados.
Liguei em diversas lojas de áudio profissional (ou ao menos se dizem assim), desde as mais chiques (como a Playtech e Made in Brazil), até mais comuns na Santa Ifigênia. O resultado foi o mesmo: “Hein?!?! Protetor auricular?? Não, nunca vendemos… e aqui no Brasil você não vai encontrar não!”. O vendedor da Playtech chegou a afirmar que não encontra-se isso aqui pois quem quer, compra lá fora.
Cheguei a ouvir um absurdo do gênero: “Ah, não… isso você encontra em loja de material pra construção e máquinas pesadas”. Como um vendedor que se diz profissional em áudio pode afirmar algo assim?! Será que ele não entende a função e especificações necessárias para o protetor ser feito para áudio profissional??? É quase como afirmar: “pô, Doutor… não temos bisturi… mas vai lá na loja da Tramontina, tem umas facas que cortam bem pra caramba!”.
Bem, fato é: quer comprar algo bom na área? Quer ter variedade? Esqueça o Brasil. Nosso mercado consumidor é ridículo, a oferta de produtos é risível e o preço cobrado pelo lixo que se vende aqui é impagável. As poucas pessoas que realmente se interessam e os poucos bons profissionais na área tem que se virar pra arrumar coisas tão simples como um protetor auricular decente. Fico imaginando o resto…
Abraços!
(Edit: um post sobre protetores auriculares, tipos e diferenças, aqui)
